quinta-feira, 28 de outubro de 2010

#10:14

Flutando no silêncio da dor, eu já não era o que chamava de “eu”. Espelhos se aproximavam e se afastavam. Meus olhos lacrimejavam o chá da noite anterior. Socos no que me cercava, gritos silenciosos e sangue espalhado pelo organismo.

É irritante quando a personalidade te inferniza e não te deixa dormir, te obriga aos cigarros e ao café e você fica parado, como uma ameba, sem entender, sem se mover, sem sentir.

O caminhão passou por cima do que eu chamava de alma e nem buzinou. Os faróis vivem apagados e minhas manhãs agora são lentas, paradas.

Me sinto estranho e com falta. Com sua falta, com minha falta. Sobrou massa no bolo e faltou recheio para divertir os olhos juvenis das nossas crianças.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

foto para um vinte e seis de outubro


10:06 #outubro quase no seu fim.

(...) muitos reclamam de saudades, tristezas, infelicidades. Eu só quero reclamar da falta. Se não fosse essa falta gigante na minha vida eu não estaria vomitando gírias e frases de outros olhos, de meus olhos, de minha ce_gueira.
Minha solidão se resumia naquela tarde. Frio, cigarros, café e logo uma garoa. Se ao menos chovesse de verdade eu seria obrigado a me recolher debaixo de algum telhado, uma proteção tercerizada, não sei ao certo, mas eu encontraria alguém mais para olhar. Mas cada gota que descia de sei lá onde, desta garoa de uma tarde de sábado me matava por dentro e me envolvia cada vez mais na minha solidão.

Eu beijei minha mão, senti meus pulsos, garganta e fígado. Ali era pura inocência, pura natureza. A tristeza divina bateu- me a porta.